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Plano de saúde negou trastuzumabe (Herceptin®)? Saiba seus direitos, inclusive para a versão subcutânea.

  • Foto do escritor: Débora Carmo
    Débora Carmo
  • 23 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 25 de ago. de 2025

trastuzumabe (Herceptin®)

Para milhares de pacientes, principalmente mulheres diagnosticadas com câncer de mama HER2-positivo, o trastuzumabe (Herceptin®) não é apenas um medicamento, é um divisor de águas. Ele foi uma das primeiras e mais bem-sucedidas terapias-alvo, transformando um dos tipos mais agressivos de câncer de mama em uma doença com altas taxas de controle e cura.


Por ser um tratamento padrão-ouro, consolidado há anos, receber uma negativa de cobertura do plano de saúde para o Herceptin® é uma situação revoltante e, francamente, absurda. Essa recusa pode acontecer de várias formas, especialmente quando se trata da sua versão de aplicação mais moderna e confortável.


Se você está enfrentando essa barreira, saiba que a lei e a justiça estão do seu lado. A negativa do plano é, na grande maioria das vezes, uma prática ilegal. Este guia completo irá explicar seus direitos e mostrar o caminho para garantir o acesso ao seu tratamento, seja ele qual for.


O que é o trastuzumabe e por que ele é tão importante para o câncer HER2-positivo?


Diferente das imunoterapias, o trastuzumabe é uma terapia-alvo. Isso significa que ele foi desenhado para atacar uma característica específica da célula cancerígena.


No caso, ele mira a proteína HER2. Em cerca de 20% dos casos de câncer de mama, as células tumorais produzem uma quantidade excessiva dessa proteína, que funciona como um "acelerador", fazendo o câncer crescer e se espalhar mais rápido. Esses tumores são chamados de "HER2-positivo".


O trastuzumabe age como uma chave de precisão: ele se liga à proteína HER2 na superfície da célula e a bloqueia, impedindo que o sinal de crescimento seja enviado. Isso freia a progressão da doença e pode levar à morte das células tumorais.


Suas principais indicações são:


  • Câncer de Mama HER2-positivo: É usado tanto na doença em estágio inicial (antes ou após a cirurgia, conhecido como tratamento neoadjuvante/adjuvante, para curar e prevenir o retorno) quanto na doença avançada ou metastática.

  • Câncer Gástrico (de estômago) HER2-positivo em estágio avançado.


As negativas mais comuns para o Herceptin® e por que são ilegais


Por ser um medicamento mais antigo, as desculpas dos planos evoluíram e se tornaram mais específicas. Fique atenta às principais:


1. A principal batalha: negativa da versão subcutânea


Esta é, hoje, a recusa mais comum. O plano de saúde até autoriza o trastuzumabe intravenoso (aplicado na veia), mas nega a versão subcutânea (SC), que é aplicada com uma injeção sob a pele.


Por que a versão subcutânea é importante? A aplicação subcutânea dura cerca de 5 minutos, enquanto a intravenosa pode levar de 30 a 90 minutos. Isso significa menos tempo no hospital, mais conforto, menos desgaste emocional e físico, e mais qualidade de vida para a paciente.


Por que a negativa é ilegal? O princípio ativo do medicamento é o mesmo: o trastuzumabe. A mudança na via de administração é uma evolução tecnológica que beneficia o paciente. A justiça entende que não cabe ao plano de saúde decidir a via de administração do fármaco, mas sim ao médico que acompanha o caso. Se o tratamento está coberto, a forma de aplicação mais moderna e benéfica também deve ser.


2. Recusa para tratamento adjuvante ou neoadjuvante


O plano pode negar o uso do Herceptin® no tratamento adjuvante (após a cirurgia, para evitar que a doença volte) ou neoadjuvante (antes da cirurgia, para reduzir o tumor).


Por que a negativa é ilegal? 


Esses tratamentos são parte essencial do protocolo curativo do câncer de mama HER2-positivo. Negá-los é colocar em risco a chance de cura da paciente. A lei obriga a cobertura do tratamento completo da doença, e isso inclui todas as suas etapas.


3. Alegação de não estar no rol da ANS


Mesmo para o Herceptin®, essa desculpa ainda pode aparecer, especialmente para a versão subcutânea ou para indicações mais recentes. Como já sabemos, a lei 14.454/2022 define o rol como exemplificativo, e essa justificativa não se sustenta judicialmente se o medicamento tem registro na ANVISA e indicação médica.


O custo do tratamento e a obrigação do plano


Apesar de mais antigo, o trastuzumabe ainda é um medicamento de alto custo. O tratamento completo, que no cenário adjuvante dura 1 ano (cerca de 18 ciclos), pode ter um custo total que ultrapassa os R$ 150.000,00. O valor elevado reforça a necessidade e a obrigação legal da cobertura pelo plano de saúde.


O caminho da justiça: garantindo seu tratamento com a liminar


Para reverter a negativa de forma rápida e segura, o caminho é a ação judicial com pedido de liminar.


A liminar é uma decisão de urgência que o juiz pode conceder em poucos dias, determinando que o plano de saúde autorize e custeie imediatamente o tratamento prescrito pelo seu médico, incluindo a versão subcutânea, se for o caso. Isso garante que você não tenha seu tratamento interrompido ou adiado por uma decisão abusiva da operadora.


Vale a pena? O investimento na ação judicial vs. o custo do tratamento


Diante de um custo de tratamento que pode passar de uma centena de milhares de reais, o investimento para ingressar com uma assessoria jurídica especializada é uma fração mínima e incomparável desse valor. É a chave que abre a porta para o tratamento completo, moderno e eficaz que é seu por direito, sem que você precise comprometer seu patrimônio.


Guia prático: seus primeiros passos após a negativa


Seja qual for o tipo de recusa, organize-se e siga estes passos:


  1. Exija a negativa formal e por escrito.

  2. Peça ao seu médico um relatório clínico detalhado, justificando a importância do trastuzumabe e, se for o caso, os benefícios da aplicação subcutânea para você.

  3. Reúna seus documentos: a negativa, o relatório, a carteirinha do plano, exames e comprovantes de pagamento.

  4. Procure uma advogada especialista em direito da saúde, que saberá como argumentar contra as justificativas específicas do plano.


Conclusão


O tratamento com trastuzumabe (Herceptin®) é um direito seu, uma conquista da ciência que não pode ser negada por burocracia ou interesse financeiro. Lutar pela versão subcutânea não é um capricho, é lutar por mais qualidade de vida durante um tratamento desafiador.


Se o seu plano de saúde negou o Herceptin®, seja a versão intravenosa ou a subcutânea, não aceite essa decisão. Entre em contato conosco para uma análise completa e sem compromisso do seu caso.


Estamos prontos para lutar ao seu lado e garantir que seu direito ao melhor tratamento seja respeitado.


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(Disclaimer: Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta jurídica. Cada caso possui suas particularidades e deve ser analisado individualmente.)

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