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O plano de saúde negou o exame solicitado pelo médico?

  • Foto do escritor: Débora Carmo
    Débora Carmo
  • 13 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura
O plano de saúde negou o exame solicitado pelo médico?
O plano de saúde negou o exame solicitado pelo médico?

Receber uma negativa do plano de saúde para a realização de um exame crucial para o diagnóstico ou acompanhamento de uma condição de saúde é uma situação extremamente frustrante e preocupante. Afinal, um diagnóstico preciso é o primeiro passo para um tratamento eficaz.


Muitos beneficiários, diante da recusa da operadora, sentem-se de mãos atadas e acabam não realizando exames essenciais, o que pode colocar a saúde em grave risco.


Contudo, é fundamental saber que a negativa do plano de saúde não é o fim da linha. Na grande maioria dos casos, essa recusa é considerada abusiva pela Justiça brasileira.


Se você está passando por isso, este guia completo e didático irá mostrar o que fazer para garantir o seu direito à saúde.


1. Entendendo os principais motivos da negativa


O primeiro passo é sempre exigir que o plano de saúde forneça a justificativa da negativa por escrito. Este é um direito seu. Com esse documento em mãos, você poderá identificar o motivo e combatê-lo da forma correta.


As desculpas mais comuns utilizadas pelos planos são:


  • O exame não está no Rol da ANS: O Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é a lista de cobertura mínima obrigatória. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já pacificou o entendimento de que este rol é exemplificativo. Isso significa que, se o exame foi prescrito pelo seu médico como essencial para o seu diagnóstico ou tratamento, ele deve ser coberto, mesmo que não esteja na lista.

  • Não preenchimento das Diretrizes de Utilização (DUTs): Para alguns exames mais complexos ou de alto custo (como PET-CT ou exames genéticos), a ANS estabelece critérios técnicos para a cobertura, as chamadas DUTs. O plano pode alegar que você não se enquadra nessas diretrizes. Contudo, o relatório do seu médico pode e deve justificar a necessidade do exame para o seu caso específico, superando as diretrizes genéricas da ANS.

  • Alegação de exame "experimental": Essa justificativa só é válida se o procedimento não tiver nenhuma comprovação científica ou eficácia reconhecida. Se o exame possui registro na ANVISA e é reconhecido pela comunidade médica, a recusa é abusiva.

  • Alto custo do procedimento: O valor do exame não é um critério válido para a operadora negar a cobertura. A obrigação do plano de saúde é garantir o tratamento necessário para a manutenção da saúde do beneficiário, independentemente do custo.


2. O passo a passo para reverter a negativa


Com a recusa formal em mãos, é hora de agir. Uma boa organização e a documentação correta são suas maiores aliadas.


Passo 1: Peça um relatório médico detalhado e robusto


Este é o documento mais importante para o seu caso. Volte ao médico que solicitou o exame e peça um relatório completo, que deve conter:

  • Seu diagnóstico ou a hipótese diagnóstica, com o respectivo código CID.

  • A indicação expressa do exame solicitado.

  • Uma justificativa detalhada sobre a imprescindibilidade do exame. O médico deve explicar por que outros exames disponíveis não são suficientes para o seu caso.

  • Se a negativa foi por causa de uma DUT, o médico deve justificar por que você precisa do exame, mesmo sem preencher todos os critérios da diretriz.

  • A descrição dos riscos à sua saúde caso o exame não seja realizado, impactando o diagnóstico e o início do tratamento correto.


Passo 2: Organize toda a documentação


Reúna os seguintes documentos:

  • O relatório médico detalhado.

  • A negativa por escrito do plano de saúde.

  • A solicitação médica original do exame.

  • Laudos de exames anteriores que justifiquem a necessidade do novo exame.

  • Seus documentos pessoais (RG e CPF).

  • Cópia do contrato do plano de saúde e da carteirinha.

  • Os três últimos comprovantes de pagamento da mensalidade.


3. Os caminhos para garantir a realização do exame


Existem três esferas de atuação para buscar seu direito. Elas podem, inclusive, ser utilizadas ao mesmo tempo.


A. Contato com a Ouvidoria do Plano e Reclamação na ANS


O primeiro caminho é o administrativo. Com a documentação em mãos, registre uma reclamação na ouvidoria do seu plano de saúde. Em paralelo, abra um chamado na ANS através do site ou pelo telefone 0800 701 9656. A ANS irá notificar a operadora, que terá um prazo para resolver a sua demanda. Muitas vezes, essa mediação é suficiente.


B. Ação Judicial com Pedido de Liminar: O Caminho Mais Efetivo


Se a via administrativa não funcionar ou se o seu caso for urgente, a solução mais eficaz é ingressar com uma ação judicial. Para isso, é altamente recomendável que você procure um advogado especialista em Direito da Saúde.

O advogado irá entrar com um processo judicial solicitando uma decisão liminar. A liminar funciona como uma autorização judicial provisória e de urgência, que pode ser concedida pelo juiz em questão de dias (ou até horas, dependendo da gravidade).


Ao conceder a liminar, o juiz determina que o plano de saúde autorize e custeie imediatamente a realização do exame, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. Isso garante que você não tenha que esperar até o fim do processo para ter acesso ao seu diagnóstico.


O que a Justiça Diz?


O Poder Judiciário tem um posicionamento muito firme em favor do consumidor nesses casos. O entendimento consolidado é que:

  • A escolha do procedimento diagnóstico ou terapêutico é uma atribuição do médico que acompanha o paciente, e não do plano de saúde.

  • A recusa em autorizar um exame essencial para o diagnóstico de uma doença coberta pelo contrato é uma prática abusiva.

  • A falta de previsão no Rol da ANS não autoriza, por si só, a negativa de cobertura.


Conclusão: Lute pelo seu direito ao diagnóstico


A saúde é um direito fundamental. Uma negativa de exame por parte do plano de saúde pode trazer angústia, mas é uma barreira que pode ser superada. Seja proativo, siga os passos deste guia e, se necessário, não hesite em procurar a Justiça.

Lembre-se: um diagnóstico rápido e preciso é a chave para um tratamento bem-sucedido e para a sua qualidade de vida.


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